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sábado, 5 de dezembro de 2009

Até que a morte os separe



Cá estou eu, mais uma vez, em um site de relacionamentos, procurando minha próxima vítima meu próximo marido. Diante de varias opções, como médicos e advogados aposentados decidi investir em um empresário jovem e bem-sucedido, quem sabe dessa vez eu consiga mais uns milhões e não tenha que dividir com pirralhos chatos, e ainda ter que disputar pela guarda deles para ganhar alguma coisa.

Em sua página, meu possível próximo marido específica bem o perfil de sua futura esposa, inteligente, bonita e bem-sucedida financeiramente, requisitos fáceis para mim afinal eu estudei em Colégio Público de Jaguatirica do Sul Harvard, modéstia parte sou linda e com os meus três últimos maridos consegui arrecadar uma quantia considerável. Então fui logo mandar um e-mail para ele, aguardei a resposta por alguns minutos apenas, o que era bom, afinal, quanto mais rápido eu arranjo um marido, menos tempo eu perco para dar o góupe-do-baú.

Nos conhecemos melhor e vi que ele estava indo na minha, para apressar um pouco as coisas inventei que eu estava com uma doença terminal, e para não perdermos tempo teríamos que nós casar o mais rápido possível, e assim foi, nosso casamento teve direito a tudo do bom e do melhor. Passamos a lua de mel em Paris, claro ! Depois parti para a fase final do meu plano, com um tiro em sua testa e nada para me incriminar garanti minhas compras em Nova York e minha casa de praia em Angra-dos-Reis.
 
A frase " Até que a morte os separe" nunca fizera tanto sentido para mim antes, afinal com os meus outros maridos foi muito diferente, mas agora eu realmente percebi que o casamento se resume apenas nessa frase, e agora para mim ficou muito mais fácil ...

Em seu velório, com lágrimas de colírio nos olhos, coloquei um pequeno bilhete amaçado e escrito a mão dentro de seu terno preto Marcs Jacob com a seguinte mensagem : 

" Oh, meu querido Gerold, lhe aceguro de que está em um lugar melhor agora ... Minha lista de maridos descartaveís estava á sua espera. " 

Infortúnio



Abro lentamente minhas pálpebras percebo que não estou enxergando nada , involuntariamente arregalo meus olhos com o objetivo de enxergar alguma coisa , quando me dou conta que minha tentativa de enxergar não foi bem sucedida fico histérica , tento me acalmar e dou três passos para frente, ou será para traz ? Estou confusa, suo frio, minhas pernas tremem e não se movimentam mais como de costume  faço muito esforço mas caio no chão e não sinto nada, logo penso que estou morta , começo a chorar porem não sinto lágrimas caírem sobre meu rosto nem ouso o barulho do meu choro .

Finalmente acordo e percebo que isso não passou de um pesadelo, fruto de uma perda irreparável em minha vida, me sinto desamparada, o que farei agora que essa pessoa tão amada já não está mais aqui do meu lado para cuidar de mim, me dar amor e a proteção que preciso para este mundo injusto ?

Desço as escadas lentamente e observo cada coisa em cada lugar como se eu jamais tivesse outra chance para retornar a este lugar, ao chegar no ultimo degrau sinto uma lágrima de tristeza caindo sobre meu rosto gelado, pego as chaves do carro em cima da bancada de mármore e saio porta afora sem saber para onde ir.

Perturbação


Acordo e vejo uma luz em uma escura imensidão, sinto o asfalto com pequenos pedregulhos quase perfurando meu pé, estou descalça procurando algo só não sei o que, talvez uma memória perdida, um antigo amor ou até uma luz no fim do túnel quem sabe, ao me aproximar da luz estranha sinto um frio na espinha uma certa perturbação, um medo de encontrar algo que possa fazer uma mudança significativa até de mais, ou até mesmo me decepcionar por não encontrar algo do tamanho de algo que eu espero estar procurando.

Percebo que a luz está se afastando de mim , corro em direção a ela com o objetivo de alcança-la, porque esse pesadelo e essa ansiedade simplesmente não acabam como segundos de felicidade ao lembrar-mos de algo que nos faz bem até descobrirmos que isso não se passa de uma lembrança que jamáis voltará a ser mais que isso ? Durante meus pensamentos inconstantes a luz para e de repente um clarão ilumina ou tudo, ou melhor nada, pois não havia nada lá, apenas uma mente perturbada por algo ou alguém que não sei dizer.